winter’s bone, 2010

é um filme essencialmente forte. não forte de cenas fortes, reles entendedor; forte de um um tipo de força quase primitiva, de vísceras, acento sulista (usa), honra e frio e ossos. forte de um tipo de força de uma garota de 17 anos tendo que resolver tudo por si. forte de uma força de vontade inexorável. de um tipo que muita vez nos escapa nos embates que a vida se nos impõe, incansável - um dia após o outro.

ghost in the shell, 1995

uma amostra debochada de como o desenho permite possibilidades. uma carga de filosofia waking life sized, com uma verve narrativa sombria, simples e direta que só os damn japas conseguem. foda.

the future, 2011

miranda july movie, you like her you like it.

never let me go, 2010

filme extremamente correto na produção. dá pra sentir que cada quadro foi planejado, sequenciado, num roteiro estrito e reto. tão reto que chega a ser assustador; tão incisivo que te embarga, involuntariamente, pela frieza com que te joga ao colo uma bomba que faz Tic-tac.

dog day afternoon, 1975

parece a mesma história de assalto a banco de sempre mas não é. tem o al pacino ali. e tem uma produção toda caprichadinha que vai devagarzinho te levando a um clímax que chega de repente, você quase que fica alguns segundos sem acreditar no que está vendo. não vou contar como, mas vou dizer uma coisa que se você não quiser saber, deve parar de ler a-g-o-r-a: não que o filme se proponha a isso (é maior que a situação do debate etc.), mas é o melhor filme, aspas, argumento, contra gayfóbicos já feito.

blue valentine, 2010

Blue Valentine é um filme inteligente, uma montagem posmoderna, um quê de indie etc. é um filme triste, e particular, à medida que se explica a cada qual segundo sua própria concepção de amor - te dá apenas umas migalhas de pão, o mínimo possível, com parcimônia e delicadeza, e elas podem ser seguidas ou não. em português, chamaram de Namorados para Sempre, o que, óbvio, desvirtua enormemente o sentido das coisas. tudo ali é mais subtil que um para sempre, um nunca, um te amo. porque às vezes eterno é apenas o segundo, não é mesmo.

update II

trouxe aqui um espanador que comprei na loja de artigos para limpeza, com o Seu Nicolau. expliquei pra ele que era pra tirar o pó das coisas, o pó sempre se acumula nas coisas. e, enquanto a gente tira uma soneca, criando honrados espaços de procrastinação na vida, o pó não tira um minuto de descanso. vem dos caminhões lá fora, que soltam fumaça e óleo queimado, vem da nossa pele - dizem que 90 ou 75% -, vem da terra que as pessoas levantam com seus sapatos e havaianas e, agora, vem até do vulcão no chile. aí, entre andanças e siestas, vão ficando para trás, sem uma linha sequer, alguns filmes que nem eram pra ficar, no fim das contas. assim que venho cá, espano-os e acerto-os.

ora analisando-as percebo que são todas películas mui diversas entre si, em filo e espécie. senão miremos.

The Life Aquatic with Steve Zissou (2004); Bottle Rocket (1994); The Blues Brothers (1980); Akira (1988); The Social Network (2010); 127 Hours (2010);  Scott Pilgrim vs. the World (2010); Super 8 (2011); Mononoke-hime (1997); The Smurfs (2011); Rockers (1978); Qualquer Gato Vira-Lata (2011); 28 Days Later… (2008); Tonari no Totoro (1988); Rocksteady: The Roots of Reggae (2009)



nenhum deles apresenta grande falha de caráter e alguns são bastantes singulares. pra início, The Life Aquatic with Steve Zissou é um bom filme, tem de excepcional a trilha composta por boas versões de Seu Jorge para canções do Bowie. é como os filmes do Wes Anderson: são divertidos, são criativos, parecem prescindir de alguma maturidade, mas te ganham exatamente aí, na espontaneidade e no esforço de brincar com o cinema; o que se aplica, inclusive em maior grau, também a Bottle Rocket. Blues Brothers é aquele clássico, os figurões do gênero coligados por um roteiro um tanto despreocupado e cartunesco - me escapa, no entanto, por que diabos tinham de extrapolar esse aspecto e destruir tantos carros. já tem algum tempo que assisti, mas pelas minhas contas à epóca foram 350.



Akira é genial (palavra maltratada essa, merece uma vênia), o traço de futurismo-retrô japones ambientando um texto profundamente filosófico, dezenas de camadas que voce deve, com cuidado, tentar folhear. The Social Network não me pareceu ruim, nem bom, bastante pelo contrário. carrega todo o sentido de zeitgeist, o filme que “estava por ser feito”, e até cumpre o briefing, embora não vá um passo além dele. é demasiado correto, demasiado lógico, e, descontado o aspecto biográfico, óbvio, soa muito como um filme feito às pressas. em muitos níveis é o antípoda de 127 Hours, que é um filme difícil de ser dirigido, um filme no qual você entra sabendo o final da história. que gera, por conta disso, uma forte curiosidade, O que será que esse Boyle vai fazer nessa uma hora e meia que separam um homem de sua mão. e ele ganha porque vai além do esperado, de meramente pintar as bolinhas do gabarito; ele surpreende, mesmo que pra isso tenham que ser usados 30 takes de agonia landscapes flashbacks por segundo.

gosto mais do Danny Boyle a cada filme que vejo, e isto não porque seja como uma garotinha sendo mais e mais cativada por sua verve narrativa; isto porque é surpreendente a sua capacidade de adaptação e a propriedade que consegue aplicar a cada tema louquinho com que resolve se meter. 28 Days Later é outro exemplo, algo como essa notória capacidade de camuflagem. o longa, de sua parte, me soou como uma espécie de axioma desta era em que Gente tudo é zumbi. é uma referência óbvia de Walking Dead, a atual série oba do assunto, e de uma porrada de jogos de xbox.



Scott Pilgrim é legal como os filmes legais do Michael Cera, e entre toda a narrativa game barra comics barra hipster consegue escrever um conto de amor de modo hm cativante. Super 8 é o que a partir de agora vou chamar de filme suporte. é uma boa história, não pensem que não. e está cheio de pequenas e divertidas ironias sobre a produção audiovisual, ou o cinema, como preferirem. soa como uma autoparodia em alguns momentos, mas nao pense nisso tambem. trata-se de um filme suporte porque está lá a necessidade do Spielberg de fazer uma pá de pirotecnia, explosões, dolby surround violentando seus tímpanos, e está lá a necessidade do JJ de criar uma história de suspense, de bichos monstruosos (ET), superpoderes, conspiração etc. aí pegam uma película de 35, colocam um montão de dólares em cima e fazem um filme suporte pra essa necessidade. o que não é demérito algum - é sempre bom ter alguém providenciando explosões e bichos monstruosos pra uma sessão de cinema empolgante.

The Smurfs só vale pra assistir com a sua irmã pequena. Qualquer Gato Vira-Lata só vale pra assistir com a sua irmã mais velha. Mononoke-Hime (Princesa Mononoke) é lindo, como um Miyazaki há de ser. e um Miyazaki bastante inspirado, a explorar temas da floresta: podemos dizer que é o senhor dos anéis do homem. Tonari no Totoro, ou Meu Vizinho Totoro pra quem nao fala japones, é bacana, mas não se pareia a Mononoke. tenho cá mais alguns do diretor na fila, e fui informado de que nova película encontra-se em pos-produção, alvíssaras. Rockers é, deles todos, o mais cool, um MSM (sigla que inventei para must see movie) para qualquer um que, ffff, aprecie um bom rock roots reggae. bem como Rocksteady, doc da BBC essencial aos caros e sensatos senhores que se curvam à música.

the tree of life, 2011

(rellenado de spoilers, sabeis.)

antes de mais, perceba-se que the tree of life é um nonverbal film. é, acima de tudo, um filme de imagens, como baraka, como um desses documentários da bbc (se você assistir no mute e botar uma música clássica). como aquela trilogia qatsi, brilhante, que o coppola inventou de produzir com trilha do philip glass. o gênero é nonverbal film, e aqueles dialogos que voce imaginou ter visto não existem. são falácia, tudo de mentira.

pois que the tree é um filme sem fio narrativo comum, é aberto, assim que é também um filme sem embates - circunstância que, para meio mundo, é terrivelmente perturbadora. os únicos vestígios de conflito, quando p. e. o filho começa a questionar a autoridade do pai e lança mão de frases de despeito e aparente desordem, nem chegam a configurar embate. alguns, ávidos por encontrar uma trama, uma trama por favor, ao verem o fiapo dessa relação, acreditam estar aí o fio (de fato, há um subtexto sobre a superação do pai, o embate psicológico de forças e papéis - psicanalítica e mitologicamente), mas estão equivocados: o conflito entre pai e filho aí é tão importante quanto o de dois astros que colidem, ao acaso, no espaço. porque ambos os choques se dão sem palavras. o inusitado da situação, para o pai, acaba sempre por deixá-lo mudo. ele parece duvidar da rebeldia que emana do primogênito ao mesmo tempo que se põe seduzido e hipnotizado por ela.

sem choques e sem uma única direção, é óbvio se chegar à conclusão de que o roteiro tem a pretensão de falar de tudo, mas pode acabar não dizendo nada. e é verdade. é preciso firmeza para se tentar algo assim sem cair no ridículo. basta um passo torto para se perder frente a tentativa de contemplar todas as narrativas do mundo, da vida, da árvore da vida (que circula energia das raízes no inferno às folhas que balançam no céu). entretanto, essa tentativa ganha de algum modo toda uma nova envergadura com the tree, uma envergadura extremamente comprometida com o Cinema, e com a experiência do cinema. como se um ser que estivesse curvado a repousar despertasse e, devagarzinho, com leves estalos, fosse erguendo a espalda, desdobrando-se mais e mais, deixando que  todos os discos da espinha se assentassem, um a um, até que ela toda se pusesse reta, revelando uma altura imensa, um ser grandíssimo, que agora estica os ombros para trás e abre os braços, parecendo ainda maior. aí, ao levante, no contraluz de uma estrela atômica, você não está mais vendo pai e filho, ou uma família texana com seus dramas e virtudes; está vendo órgaos e vasos e células e mitocôndrias e cadeias de dna; tudo magicamente ilustrado em iterados padrões de forma e cor (honrados por um cgi de ponta, quase fálico), que a vida não passa de um fractal. infinito. como o universo, como deus, a coisa toda da criação.

as pessoas ficam alarmadas com uma cena de dinossauro, Ai meu deus o homem botou um dinossauro no filme. ficam revolts, agarram a pipoca, se levantam e saem da sala, às vezes pedem o dinheiro de volta. não fossem seres alucinados, perceberiam que ali em duas tomadas de dinossauro, há muito mais narrativa que em muito filme de correria e explosão tipo super 8. em uns dez segundos, malick apresenta a chegada dos mamíferos à terra, noutros trinta fala minusiosamente de uma relação entre predador e presa. tá tudo isso lá. pra quem estiver disposto a ver. mas agora é tudo gente sem paciência pra nada. sem paciência para sentar, para observar e experimentar algo novo, algo totalmente novo, para dar alguma atenção e crédito à ousadia, a quem escolhe ser ousado, experimentar de diferentes modos e jeitos e posições. até porque não é nada difícil observar the tree of life quietinho na poltrona. o filme é todo ele um cumprimento empolado à arte de se compor com imagens. e, se não fosse muito mais que isso, seria, de partida, um zeloso tributo à beleza. impressiona, entre montagem e roteiro, sobretudo isto: trata-se de um filme ousado, que não ousa dizer nada.

ou há, para ser justo, um único statement, dado logo ao início do longa. na vida existem dois caminhos a seguir: o da natureza e o da graça. há muito que se depreender daí, da ontologia, do ser, e uma questão dessas cada persona experimenta segundo o que lhe diz sua história. é um filme pessoal, diz um amigo. para além disso, emendo, é um filme que convida à interação de ser pessoal, a brincar com a mágica de botar em película uma visão de vida conjugada no tempo, no espaço, como fôssemos todos partículas de luz, assistindo à nossa própria vida. para a luz, vocês sabem, o tempo se comprime. para o fóton, a história do universo é não mais do que um arquivo passado, a trajetória no tempo é não mais que uma quarta dimensão, já devidademente engavetada, ainda que misteriosamente catalogada. a luz conhece todo o percurso, e seu futuro já aconteceu para ela. de modo que, é, se você quiser requerer direito a algum livre arbítrio, vai ter que largar essa mania de mesmice e se entender no tapa com a realidade, essa durona.

the prestige, 2006

primeiro, quando comecei a assisti-lo, tive uns flashs de memória assim, algumas vezes eu até conseguia saber o que ia acontecer depois - que é o que a gente deve fazer quando tem um deja vu: tentar lembrar do que vai acontecer logo em seguida, o que pode acabar te deixando rico, tal -, então era obvio que eu ja tinha visto algumas partes, mas eu não lembrava do final, então era obvio que eu não tinha visto até o final, de modo que uma questão se levantou imediatamente, das lavas só um pouco quentes de um vulcão adormecido: por que diabos eu nao havia assistido até o fecho.

porque, vejam bem, eu não sou senhor de abandonar um filme bom por alguns deslizes de roteiro, de bebedeira, de inocência sexy, não pensem isso de mim. assim que alguma coisa aconteceu, alguma coisa deve ter acontecido. e, a cata de explicação, encontrei-a um pouco adiante: falta algo ao the prestige. algo que é muito pouco, mas que  se faz sentir. e também não sou de apontar dedos, sou direito, mas eu vou ter que dizer A culpa é toda do christian bale.

porque não é um filme ruim, é um filme bom. é um daqueles roteiros cabeçudos que o nolan gosta de fazer, mas não é cabeçudo o bastante - isso ele ia conseguir com perfeição em inception, conseguiu com propriedade em memento. agora, the prestige não ficou difícil o bastante - ficou fácil, com alguns buraquinhos que a gente pode fingir que não viu, pode até condenscender, e no entanto a vida é assim mesmo: algumas coisas tem tudo pra ser, mas nunca serão.

e, marjoritariamente, a culpa é do bale. acontece que tem um batman begins um ano antes. tem o início de uma aberração que vai culminar em the dark knight, o bale falando com aquela voz roufenha e medonha de quem engoliu um kibe quente inteiro e assou a garganta. quer dizer, por que ele tem que falar daquele jeito, gente.  o erro do the prestige é estar na entresafra dos batmans, é ter um christian bale ali no meio, ganhando superpoderes, andando de supermoto e virando o big brother. acabou que ele e o personagem dele prometem muito mais do que a tentativa de gran finale entrega. se cria um anticlimax, e aquela expectativa de Ok o que está acontecendo aqui, criada com algum bom gosto até, se perde numa explicação que fica boba, fácil, preguiçosa. é a prova de que manter toda essa pose de batman fodão traz consigo um risco, um risco grande; pode acabar te fazendo parecer um pato.

mas há também os pontos altos, deixa eu lembrar. tem o michael caine (also dobradinha do batman), que é um capaz. tem o david bowie e seu olhar assimétrico fazendo um tesla mui correto, que desafia o impossível brincando com as ciências exatas, essas “que não têm nada de exatas”, tem a mística toda que se cria em torno dos homens de saber, e tem a scarlett - numa demonstração cabal da potência a que se eleva um homem com o amor de uma mulher como esta. a ciência pode criar homens, o amor de uma mulher pode transformá-los em deuses.

inclusive, reside aí um dos problemas do filme (e um spoiler, atente): talvez nem seja um problema, afinal, todavia faz-me crer que uma mulher não se engana, e não se enganaria sobre a existência de gêmeos. esposa de borden (bale), a doce e bela julia (piper perabo) o sentiu, encontrou a agrura do amor ao perceber que seu marido eram dois, embora não tenha se dado conta do truque. stop performing, ela suplica ao “outro”, com o sofrimento de quem vê a magia se esvanecer. ela percebe sem se dar conta, vê e não acredita, como nos acontece tanta vez: por medo ou convicção, preferimos ser iludidos a encarar a verdade.

true grit, 2010

acho que já disse, não lembro, que se quer fazer um filme saiba contar uma história. saiba desenvolver uma história cobrindo-a de pequenas outras histórias. entendeu querido. não adianta sair juntando pedaço de vídeo que aí não sai um filme sai um bruna surfistinha. mas dude a secco é hot. tá. aí na outra mão tem os coen. os coen sabem contar uma história. sabem levar com ritmo, sabem dosar, sabem compôr trilhas esbeltas, sabem fazer uma tomada ficar linda, dois segundos ali, lindo. não discuta apenas ouça: lindo. tudo fica lindo, até as coisas feias como aquela menininha. maldade né, é a maquiagem só.

a menininha vai ficar pra depois, tem um pouco de suspense e mistério antes. por exemplo, você tem que saber contar histórias e pra contar histórias você precisa contar diálogos. e personagens. repetiram a pedida do big lebowski, protagonizando o jeff bridges - o que já coloca a coisa num patamar de clássico, convenha. no que foram corretos. botaram o matt damon pra fazer um texas ranger desajeitado mas confiável que ele fez perfeito. o trio de viagem composto, com a menininha. e o cenário todo do faroeste - no country for old men, a aridez do chão e das relações. tem o companheirismo sem necessariamente a amizade mas no fim a gente vê que é tudo amizade né, são tudo amigos. se defendem, se protegem, se salvam. com sacrifícios pelo caminho. alguns necessários, outros não.

e os encontros. o encontro com o médicodentista é o caso de saber contar história. um velho com uma cabeça de urso e bastante barba vem na mesma trilha que eles, é confundido com um perseguidor, convidado a se explicar e responde com uma voz profunda - “I practice dentistry in the Nation. Also, veterinary arts. And medicine, on those humans that will sit still for it.” Rsrsrrs. é muito bom, rapaz.

agora, a menininha. ela tem 14 anos, parece que tem uns 26. e quer vingar a morte do pai, que foi morto por um vagabundo. vai dando cabo dos desencargos do funeral e cumprindo planos de ver o matador enforcado, por vontade e soldo próprio - a mãe é uma incapaz. vai de viagem atrás do forasteiro, cheia de fibra. e move homens com o poder de sua palavra. uma mulher, crescida. moderna. resolvedora de sua própria vida, sem tempo para assuntos. justiceira. ela consegue o que quer, o consegue numa terra em que se morre por pouco, muito pouco. de modo que são necessárias algumas perdas. danos serão causados, às vezes se perde um braço. a menininha ficou velha, sem nenhum homem, porque nunca teve tempo pra isso, mas não é disso que ia falar. ia falar que essas missões insensatas de que revestimo-nos às vezes, quando às cegas pagamos pra ver, essas coisas causam mortes. a questão é Será que nossa aprendizagem da lida humana será para sempre obtida via matança (psico)social aka guerra? o que será, o que será.

de resto, I don’t believe fairy tales or sermons or stories about money, baby sister. But thank you for the cigarette.